Hoje eu só queria morrer.
Sim, morrer.
Terminar essa vida que não me interessa, que nada me diz.
Dançar é minha única forma de extravasar toda dor que sinto, dor dessa existência que a cada dia me sufoca, me violenta, me dilacera sem pena, sem pudor.
Por que e para que permaneço viva?
Não faz sentido algum.
Hoje mais do que qualquer outro dia eu desejo que o sono se transforme em eterno e que eu parta de uma vez.
Nem no copo posso afogar minha dor. Talvez se não passasse tão mal quando bebo já teria uma alcoólatra me tornado pois tantas são as dores da alma...
Tanto que já perdi, tanto que não vivi...
Dançar, dançar, sem nada pensar, só a música , o ritmo, o som entra no meu ser nessa hora e uma fúria, uma explosão em movimentos afastam me de mim e sou uma fêmea correndo nas montanhas, nos vales e córregos, sou o vento na estrada, sou a emoção, sou o fogo ardendo vivo.
Não sinto vontade de parar como o fogo que só cessa quando não há mais o que queimar continuo dançando e queimando mas diferente do fogo sou obrigada a parar mesmo ainda tendo tanta coisa para matar.
Dançar nem sempre me é permitido, aliás quase nada me é permitido.
Vivo em uma prisão sem grades.
Hoje a morte me cairia bem.
Não sei mais brincar de esperanças na vida ter.
Não creio mais nas pessoas muito menos em seus sentimentos pois a vida me mostra a cada dia que cada um só tem sentimento consigo mesmo e com o que lhes interessa.
Não coloco nessa cesta meu Bebê, ele parece ter sentimentos, não é porque nada por mim sente que vou dizer o contrário pois ninguém manda nesse tipo de emoção, se mandássemos seria muito bom, mas não é assim que funciona.
Já passei do tempo de estar aqui, não tenho mais nada o que esperar.
Não consigo entender ou aceitar como a vida vive a me açoitar e até as mínimas coisas vive a me tirar.
Dormir e um sonho bonito ter e calma e muito serenamente partir.
Morrer, partir, talvez já tenha passado da hora.
Diferença nenhuma irá fazer e seria hoje uma boa hora para dar fim
a essa história que nunca teve sentido existir.
Hoje morrer me cairia bem.
Seria bom poder voar e desse corpo sair e ir embora, viajar no vento
"sem lenço, sem documento".

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