Precisava não escrever versos, poesias.Não! Hoje eu preciso gritar, desabafar, tentar rasgar o peito em forma de grito para tirar essa dor de dentro de mim. Uma dor que é tão forte que por mais que eu tente disfarçar ela sombreia minha face e a máscara do sorriso fica deformada.
Sinto em dias como hoje, mesmo contrariando as expectativas reais, que não ficarei muito tempo por aqui. Algo me faz sentir como se eu estivesse me despedindo das pessoas, dos lugares. Tem momentos que essa sensação é tão forte e isso me faz perguntar e questionar, será que alguém sentirá minha falta, alguém terá saudades de mim? Hoje perguntei a uma pessoa a quem tenho muito carinho se ela sentirá saudades de mim, mas como a pessoa nada sabe sobre o que se passa comigo e sobre a minha luta com meu sistema imunológico que continua a aprontar comigo é lógico que pensa que é devido ao curso que chega ao fim e ao afastamento quase natural, que não deveria ser, que sempre acontece quando não existe mais o polo de encontro, o compromisso do dia a dia. E a resposta me apertou mais a garganta já apertada. Sim, até do , e disse o nome de quem hoje não me saiu da cabeça, na hora perguntei porque tinha dito isso, aquele nome dito assim me deixou naquele momento como se tivesse levado um soco no estômago, lógico que essa pessoa não percebeu nada e respondeu que sentirá saudades de todos até dele porque todos fizeram parte dessa história, dessa etapa da vida que está prestes a terminar. Engraçado aquele nome ter aparecido assim do nada quando passei quase o tempo todo da confraternização com o coração apertado com as lembranças. Quanta dor senti ali naquela casa verde hoje, tentei cantar no karaokê mas minha garganta deu nó ao lembrar de meses atrás naquela mesma sala cantando na festa junina e ele me olhando de rabo de olho do lado de fora pela janela e eu fingindo não perceber nada.
Desde sexta-feira meu coração aperta e a saudade dói com tanta intensidade e culpa. Sim, culpa por não ter aceitado seguir as setas, os conselhos, por não ter calado, por não ter sufocado tudo que eu sentia e sim aceitar o que ele me oferecia e que hoje sei que era tudo o que eu mais queria e poderia ter. Não sinto saudades do que não existiu, não sinto falta das minhas fantasias, sinto falta do real, da sua presença, dos olhos brilhando ao me ver por estar feliz de ver a amiga, sinto falta do sorriso, das trocas de conversas em mensagens privadas onde, relendo-as, vejo quanta cumplicidade em termos de amizade existia e como aquele menino que a maioria via de forma negativa tinha tanto de positivo em si, de quanto era doce e carinhoso, apenas escondia essa meiguice e pureza das pessoas. É difícil se mostrar uma pessoa pura, boa e simples porque a maioria pisa e alguns recorrem, as vezes inconscientemente,a aparentar uma armadura, uma defesa que protege e as vezes afasta. Eu vi o menino lindo que ele era por dentro e o quanto generoso e cuidadoso era com os sentimentos das pessoas mas eu estava cega de paixão e queria mais do que ele podia me oferecer. Sofri meses e meses tentando me salvar disso e ao mesmo tempo me afogando cada vez mais no desejo de ser mais que amiga e morrendo de ciúmes até da sombra de alguém perto dele, ciúmes da sua atenção, do seu tempo, do seu sorriso, de tudo a ponto de não suportar mais ver a publicação de suas fotos com outras meninas da idade dele e mais novas ainda, ciúmes da atenção que dava ao amigo, o que todos eles tinham que ele podia ficar on line batendo papo com eles o dia ou a noite inteira mas não tinha "tempo" para me dar um alô, responder minha mensagem, isso me consumia e mesmo não demonstrando me feria, me magoava fundo como as vezes que ele quebrou as promessas de me ajudar nas coreografias, foi tão intensa as mágoas e a sensação de que eu para ele era totalmente indiferente e dispensável que fui arrumando remédios para isso como tentar me convencer de que não gostava mais dele, comecei a tentar descobrir falhas, defeitos mas mesmo assim nada mudava, bastava ele dizer oi e conversar alguns minutos que eu já acreditava que ele gostava sim de mim, não como eu queria, isso eu sempre soube e ele deixou claro, mas sim como amiga eu estava disposta a sufocar meu amor e a aceitar a amizade dele, mas não estava mais vendo o que tínhamos, as mágoas foram aumentando as decepções como amiga também. Eu o via cada dia mais distante, as vezes revivia na memória momentos, palavras ditas em momentos como as da brincadeira de entrevista da Marília Gabriela quando ele disse que eu era uma gatinha kkkk até hoje não sei se ele estava de brincadeira ou dizendo o que achava, nunca consegui decifrar seus olhares e suas palavras jogadas mas sempre soube que ele queria apenas amizade. Estou aqui tagarelando e me perdendo e atropelando as falas e ações, misturando tudo. Desabafos são assim, como larvas de vulcão que são lançadas, projetadas com toda força para fora e caem de forma desordenada pela terra e escorrem queimando tudo por onde passam e fossilizando cinzas, é tanta dor que estou sentindo, é um turbilhão de coisas e memórias armazenadas por tanto tempo que quero arrancar para parar de doer mas a certeza de que essa dor irá ir e voltar quantas vezes for sem controle apenas escondida com máscaras de sorrisos e indiferenças, papéis sociais que me levam a seguir pelo dia a dia fingindo não ter saudades, fingindo não sentir falta das conversas e da voz do menino que hoje sinto ter perdido pra sempre. O ultimo sorriso com os olhos brilhando foi me oferecido no teatro no dia da Dona Baratinha e eu fingi não ver, como eu gravei aquele momento nem uma filmadora de última geração e o hd mais potente não gravaria e armazenaria como eu os tenho nos meus olhos, meu coração e memória mas na hora fingi ignorar, senti ciúmes daquele colega a quem ele dava tanta atenção mesmo sendo eu a ter uma atitude infantil com ele e fingindo o ignorar e a fazer de conta que não o queria que se aproximasse de mim. Nossa como tudo aquilo me doeu mas eu estava super magoada com ele, com mais um descaso dele comigo em algo que era super importante pra mim e que eu contava com ele e com o compromisso que ele tinha assumido comigo e que eu tinha confiado nele cegamente, aquilo me doeu mais do que os outras vezes que ele não cumpriu suas promessas comigo, promessas no sentido de ter combinado, assumido compromissos comigo e esquecido ou me deixado na mão, e eu nunca o deixaria na mão, até quando me irritei tremendamente com ele mantive meu compromisso de dar-lhe força, nunca deixaria de cumprir uma promessa feita porque o tinha, independente do que sentia por ele, amizade verdadeira, aquela de você querer o bem. Até no amor eu desejava a felicidade dele mesmo que eu morresse de ciúmes eu o queria ver feliz, sorrindo mesmo não sendo comigo. Engraçado essa última vez que eu acabei quebrando o pouco de sentimento que ele sentia por mim, o dia da Dona Baratinha, quando senti tanta raiva dele junto daquele cara, ainda mais depois de saber que era o mesmo cara que ele estava no Espetto e como melhor que qualquer agente do FBI fui toda "marrenta" descobrir o que aquele carinha tinha demais para ele gostar tanto da companhia dele. Acabei me apaixonando pelo cara, digo apaixonando não no sentido físico mas no que mais me toca, o interior, o que a pessoa transmite. O cara pelo que eu vi é uma pessoa linda que vale a pena a companhia porque aparentemente só se tem a acrescentar a crescer ao seu lado e naquela hora vi o quanto muito mais fui ridícula e por incrível que pareça pensei, se ele for mesmo gay e esse for o cara por quem ele tem algo que eles sejam felizes pois são dois lindos de luz interior e naquela hora desejei a felicidade dos dois caso ele seja mesmo gay. Depois daquele dia da Dona Baratinha nunca mais fomos os mesmos, pelo menos na aparencia. Eu continuei a abrir o Face só para ver que ele estava on line e sentir assim como se ele estivesse mais perto de mim e que a qualquer hora poderia dizer, Oi você esta aí, mas isso nunca acontecia e via a distância crescer e sentir toda sua indiferença em relação a mim e a nossa antiga amizade, ele sequer tentou salvá-la, não fez nenhum movimento. Eu me senti tão ridícula as últimas vezes que tentei salvar nossa amizade, era como se eu levasse tapas na cara e desse sempre o outro lado para ele retornar a bater. Decidi deletar ele do Face achando que isso era para esquecer ele, para parar de ver ele on line disponível para todos menos para me dar um oi, pra que né!? Pensei que era para evitar sofrer com o ciúme dele aparecendo com todas aquelas garotas lindas sempre dependuradas no seu pescoço rsrrs e num impulso deletei. Escrevi um monte de desaforos da boca prá fora, a ira me subiu a cabeça enquanto a dor estrangulava o coração. Só depois que uma amiga me fez ver que inconscientemente eu esperava que ele ao ver que o deletei me procuraria para saber o porque, que tentaria salvar a amizade, que eu tinha alguma importância em sua vida como amiga. Droga, isso só fez eu saber que ele nem sequer notou que eu tinha deletado ele, que minha amizade não tinha a menor importância pra ele. E pior, ele continuava sendo importante pra mim, não mais como homem, não que eu não me sentisse atraída por ele, não é isso, mas vi o quanto desejava aquela amizade de volta, as conversas, ele de volta não como eu queria antes mas como amigo, aquele amigo que mesmo sendo gay ou não gay é apenas amigo quase irmão, aquele que podemos compartilhar conversas, segredos e falar sem medo de ser apunhalado pelas costas. Alguém que te ache linda por dentro e isso valha mais do que a beleza exterior. Amizade daquelas que cresce e se vira irmão que se quer presente em todas as horas, boas e ruins sem importar com diferenças.
Mas tudo isso eu com minha idiotice, criancice joguei fora, não que tenha feito tudo sozinha, a indiferença e punhado de mágoas e desapontamentos causados por ele também foram ingredientes apimentados nessa receita de separação, mas eu joguei o saleiro inteiro no que já tinha desandado e mesmo depois, dando mil vezes a face para estapiar, nada consegui salvar.
Eu perdi o que mais eu hoje sei que queria, o amigo, a amizade que podia crescer e ser tão forte e linda. Tenho que aceitar mas tudo me faz lembrar.
Hoje essa confraternização tanto me fez ele em todos os cantos da Casa Verde em minha memória rever, tudo isso me fez representar a "mocinha feliz" a brincar de Pollyana para tentar esconder a dor que a perda dessa amizade causa que chega a ser física a dor.
Me lembrou tanto a festa junina só que naquele tempo mesmo eu fazendo de conta que não notava as vezes que ele me olhava ele estava lá e eu tinha esperança em nós, acreditava no que dizia a psicografia , de que nossa amizade já existia lá em cima, antes dele nascer e eu acreditava que eu poderia fazer ele sentir algo mais do que ele dizia sentir porque eu via mais que só amizade em seu olhar. Hoje ele não estava lá, não está mais em minha vida, não, na verdade eu é que não estou mais na vida dele porque ele, ele continua na minha. Mas hoje eu queria mais do que eu queria antes, sim é mais porque eu queria a amizade inteira e forte, verdadeira e mesmo que ainda exista certa atração física sei bem que o que mais desejo dele é que ele fosse meu melhor amigo aquele que se tem pra vida inteira.
Droga preciso parar de escrever, continuo ainda triste e com o coração apertado como que cortado pelo cristal que deixei quebrar, pelo espelho estilhaçado que ainda tem a imagem gravada em seu aço. Mas me sinto um pouco mais confortada após esse desabafo. Quanta dor pode ser carregada mesmo com um belo sorriso a se mostrar.
Beijos, até qualquer hora.
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