imaginava aquele encontro
e quando nos braços de Orfeu a Deusa cai
a coragem falta
recua
tenta correr
mas ele a segura,
seus braços fortes a enlaçam
e a imobilizam
tiram-lhe as forças
e prensada na parede
uiva como loba e
suas presas na mão dele
deixa as marcas.
O corpo em chamas
o ar vai ficando escasso
Suas garras alanham selvagemente as costas de Orfeu
que reage a tudo com mais força, maior vigor como se as garras da Deusa não lhe causassem dor
O ar vai ficando mais escasso
Sente medo do transe
e se morrer do prazer?
o que Orfeu fará com seu corpo?
Será abandonado?
Como será encontrada?
O coração abafa
a mente não se encontra mais sã
delírios e espasmos tomam seu corpo
A loba uiva e seu uivo funde-se
ao canto de Orfeu
A força dos corpos se esvanece
Uma lágrima escorre na mãe terra
entregue...
Os olhos a olhar no fundo do outro olhar
E agora? Com que cara ela amanhã irá Orfeu encarar?
Amanhã...a melhor decisão
é não pensar.

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