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(obra de ficção protegida por direitos autorais)



sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Tarde Morna ( Tempo de Orfeu )

Ela pedala para sentir a brisa lhe acariciar
o rosto, o corpo.
Tarde morna,
ela segue na direção do bosque 
onde a mata deixa a brisa mais úmida.
Não percebe ao dobrar a esquina
a presença de Orfeu que ao vê-la, grita seu nome.
Ela finge que não ouve,
tem a desculpa dos fones nos ouvidos.
Pedala com mais vigor para ganhar velocidade,
ainda não sabe como encará-lo.
Depois da última vez que se viram ficou um vácuo,
um silêncio.
Ela ainda não estava pronta para esse reencontro,
mas o destino não se importou com isso.
Deu mil voltas pelos condomínios antes de retornar,
estaria segura se demorasse,
ele não estaria mais lá.
Embalada na canção e no sabor da brisa pedalava de volta
quando Orfeu do nada pulou a sua frente forçando-a a frear.
Tal qual criança pega fazendo arte não sabia o que falar.
Ela desceu, ele conduziu-a até o parque do condomínio
arrastando a bicicleta com uma das mãos e segurando-a com a outra.
Sentou-a no banco rente a árvore.
Ele nada falou, só olhou-a nos olhos, riu e sua boca beijou como se estivesse faminto.
Ela não resistiu e correspondeu abraçando-o, beijando-o como a explorar sua alma.
Um estrondo, a bicicleta caíra no chão.
Ela tenta levantar, ele a segura e a puxa para si.
Ela se deixa afundar no peito de Orfeu, sente a força de sua mão em sua nuca os cabelos para trás puxar para seu rosto rente ao dele deixar e como um leão sua boca, seu pescoço lamber e por fim sua língua explorar.
Como presa se sente e como a revidar a loba deixa de si soltar.
Não há privacidade, há perigo e adrenalina fazendo o coração acelerar.
O toque do telefone 
Ele não a quer soltar
Alanha seu braço como gato 
Depois lambe como se quisesse o pouco sangue das marcas beber
Ela não tem como ali ficar
Ela precisa ir
Se despedem sem promessas
Ela monta na bicicleta como se em um andaluz, 
pedala veloz como se quisesse fabricar vento
as marcas no seu braço ardem
Que desculpas irá dar?
Talvez esconda-as em mangas longas
ou invente que em um espinheiro esbarrou.
Mas agora ela não quer pensar
apenas com velocidade pedalar e sentir o vento
no seu corpo e rosto como se fossem as mãos de Orfeu a lhe tocar.


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